Jornalismo colaborativo na internet

O advento da internet modificou o cenário do jornalismo. Os novos espaços criados para a produção e veiculação de conteúdo, junto com a universalização da informação, foram fatores cruciais para a comunicação passar por um processo de renovação. Novas tendências costumam trazer consigo um sentimento de desconfiança, de resistência, mas que deve ser superado para que a profissão não se torne obsoleta.

   O crescimento da internet modifica não só o jornalismo como profissão, mas a forma de pratica-lo. A ideia de que os veículos de comunicação detém o monopólio da informação não é mias sustentada. A internet está contribuindo com a maior acessibilidade das pessoas as informações, com isso torna-as capazes de participarem do processo de criação.

   Além dos grandes sites de informações, sites de jornais de circulação diários, de revistas ou portais de emissoras, estão surgindo cada vez mais blogs, redes sociais, sites independentes e/ou colaborativos que estão tomando parte da atenção que antes era monopolizada.

   Essa nova forma de comunicar está alterando a forma de fazer jornalismo, tornando-o colaborativo. Tomando como exemplo os grandes portais de comunicação, neles, existem os seus conteúdos rotineiros, mas os próprios portais hospedam blogs independentes de pessoas que estão contribuindo com a informações, muitas vezes complementares. No caso de emissoras que possuem diversas plataformas, como rádio, televisão e afins, várias das pautas que se tornam realidade são sugeridas pela audiência. Um meio muito eficaz que está tornando essas sugestões possíveis é o aplicativo para smatphones whatsapp, nele, o usuário faz a sua denúncia, que é analisada por responsáveis de dentro do veiculo, e decidida se vai ou não virar uma pauta, colaborando com veículo.

   Em alguns casos, os blogs hospedados nos portais tem mais visibilidade do que os outros segmentos dentro dos próprios portais, fazendo com que a colaboração de outra pessoa contribua com o aumento da visibilidade do portal. Existem também blogs independentes, de várias formas e diferentes intenções dos autores, mas que acabam colaborando também com jornalismo de forma alternativa.

   Além dos blogs independentes, existem também os sites independentes. Muitos desses sites são feitos exclusivamente de colaborações. O maior exemplo é a Wikipedia, site mundialmente conhecido e primeira opção para informações da grande maioria dos internautas, é, em sua quase totalidade, de colaboração. Esse tipo de colaboração é totalmente voluntária e sem fins lucrativos. Esse tipo de colaboração também tem os seus problemas, como é um site em que todos podem contribuir, as informações podem não ser confiáveis. Diferente de outros tipo de sites colaborativos, como o Esporte Nordeste, que tem toda uma equipe por trás moderando os colaboradores e as suas postagens. Os colaboradores do EN são escolhidos pelos moderadores e tem uma espécie de vinculo com site, o que torna a colaboração aberta apenas para as pessoas selecionadas.

   O jornalismo colaborativo na intenet também leva a grandes questionamentos quanto ao futuro do jornalismo. Já é de conhecimento geral que os jornais impressos estão em crise e que o jornalismo na web está em ascensão, mas o que também está em ascensão é o fluxo de informações colaborativas. Hoje, quando acontece algo de muita importância, ou eventos catastróficos, ou algo fora do comum, as primeiras pessoas que noticiam o fato não são os jornais, mas sim as pessoas que estiverem mais perto do local e tenham a sua disposição a internet. As informações fluem através das redes sociais, como Twitter ou Facebook.

   Será que o jornalismo como se conhece hoje está realmente chegando ao fim? A tendência crescente das colaborações por meio da internet põe em risco até a profissão do jornalista. Não é só a cultura dos jornalistas que está mudando, mas a cultura dos leitores também, influenciados também pela internet, que fornece, além de muitas outras vantagens e desvantagens, a opção da leitura da informação rápida e direcionada. Não sabemos como vai estar essa situação daqui há alguns anos, o que podemos afirmar é que, hoje, o jornalismo está passando por mudanças que, no futuro, vai refletir sobre todos os seus aspectos.

A cultura da convergência

                                               

 

É certo que os meios de comunicação estão passando por um período de mudança, mas não são só eles, tudo que se conhece por mídia está passando pro processos de mudanças, como assistir uma novela, participar de um reality show ou interagir em uma rede social, é a chamada cultura da convergência.

   Henry Jenkins, o pai dos estudos sobre cultura da convergência, em seu livro Convergence Culture (2006), tenta passar um pouco do conhecimento que ele tem sobre essa novo modelo. Para ele, essa cultura é um movimento social.

   Para entender melhor esse movimento, Jenkins cita alguns exemplos no livro, como o do reality show americano Survivor, que em uma das temporadas, alguém acompanhou as gravações e soltava spoilers ao público com o decorrer da exibição dos episódios, fazendo convergência entre internet e televisão. O autor também fala sobre outro reality show, o American Idol, que em determinados momentos do programa o público toma decisões através de telefones, fazendo a convergência entre a televisão e as linhas telefônicas. Mas o caso citado mais interessante é o da franquia cinematográfica Matrix, que se encaixa em outro conceito do movimento, que é o de ‘Transmedia Storytelling’. Esse conceito consiste em contar uma história através de diferentes plataformas, em que cada uma complementa a outra com informações auxiliares, ou seja, não é necessário o total entendimento do que está se passando em uma plataforma, para compreender o que está acontecendo em outra. Matrix é uma trilogia de filmes, mas com o seu sucesso, expandiu-se para desenhos animados na televisão, jogos de vídeo game, textos na internet etc.

   Mas não é só nesses meios que podemos encaixar a cultura da convergência, existem vários outros, como DVD’s, celulares, revistas ou até mesmo uma camisa que você usa com o nome de um programa ou algo do tipo seu, favorito. A maior intenção é firmar um contrato de fidelidade com o consumidor, que seja tão forte que ele possa consumir em diferentes mídias e plataformas, a diferentes custos.

   As vezes o contrato firmado com o consumidor é tão forte, que ele pode chegar a ditar um ritmo. Como por exemplo em uma novela, onde a sua trama é encaminhada de acordo com os direcionamentos do público. Ou uma música em que o artista deixa em aberto um verso para seus fãs escreverem e ele gravar.

   É difícil prever como estará o movimento daqui a alguns anos, mas o que se pode afirmar é que essas misturas de plataformas tendem a acontecer cada vez mais, o que também cada vez mais vai causar um impacto de mudança econômica e social muito forte na vida da sociedade transmidiatica.

Economia de colaboração

Uma nova era está chegando. Uma era de  mudanças tão significativas que vão alterar alguns pensamentos da humanidade. Todos nós conhecemos os sistemas das grandes empresas, são fechadas e hierarquizadas, mas isso está começando a mudar.

Seguindo o exemplo de outros meios, grandes industrias estão começando a se abrirem para o mercado, como acontece por exemplo com os sites ‘wikis’ na internet, onde colaboradores que preenchem o site com suas próprias informações com o objetivo de um bem comum, um bem maior, a informação, todos fazem isso voluntariamente.

Com isso, as indústrias, fábricas, empresas, começaram a perceber que, talvez, a solução de seus problemas nem sempre estariam nas informações e conhecimentos de seus funcionários, mas sim com alguém ao redor do mundo. O pioneiro nesse novo modo de fazer economia foi Linus Towards, que criou o sistema operacional para computadores Linux, ele o criou e abriu o seu código para que qualquer um pudesse entrar e modificar, consequentemente, melhorar. E foi o que aconteceu, o Linux passou por uma série de aperfeiçoamentos e hoje é um dos sistemas operacionais de computadores mais usados no mundo.

A partir de Towards, muitas empresas viram que essa ação poderia ser algo benéfico, e começaram a abrir o seus projetos para o mundo todo, projetos que antes eram confidenciais e super secretos. As empresas também criaram um sistema de bônus para quem contribuísse com o projeto em questão, um sistema de benefício mutuo que estimula as pessoas comuns no mundo e a empresa responsável, pois verá seu projeto, que estava estagnado, fluir com a ajuda de pessoas que não estão nem em suas folhas de pagamento.

Esse é o sistema de economia de colaboração, que Anthony D. Williams e Dom Tapsott chamam de “wikinomics”. Para os autores, nem tudo é perfeito com esse sistema. Existem possibilidades de fraudes, de enganos, de crackers invadirem os sistemas, de plágios, patentes etc. Mas também para os autores, essas fatores são consequências para um bem maior, para eles, essa nova forma de agir e pensar das companhias ajudarão a desenvolver projetos grandiosos que mudarão para melhor o rumo da humanidade.

Culturas virtuais

        

A cultura hacker é, em essência, uma cultura de convergência entre seres humanos e suas máquinas num processo de interação liberta

A cultura na internet é bem complexa, desde os primórdios da utilização da web como forma comercial, tenta-se entender as diferentes culturas que surgem todos os dias. Claro que algumas culturas se destacam, como a cultura tecnomeritocratica, a que predominou no começo dessa nova era da internet, a era comercial. Eles são quase que os criadores dessa era, pois tinham o poder do conhecimento cientifico e tecnológico, partindo numa missão de dominação.

A cultura que veio a seguir, foi a cultura hacker, que é bem complexa e estereotipada de forma errada. O hacker idealizado pela mídia é aquela pessoa expert em computação, que usa seus conhecimentos para violar as leis em prol de beneficio pessoal. Mas não é isso que acontece, essas pessoas que violam as leis são os chamados crackers, que apesar de fazerem parte do universo hacker, não são muito bem acolhidos por eles, pois os hackers entendem que os crackers mancham a sua imagem. A comunidade hacker nasceu com o proposito de aperfeiçoamento, os primeiros programas da internet, da cultura tecnomeritocratica, eram imperfeitos aos olhos dos hackers, que os aperfeiçoavam com a intenção de melhorar a internet. Essa cultura é hierarquizada, com cadeias que são organizadas por feitos, a satisfação de um hacker é ter o seu trabalho reconhecido e contribuir com a melhoria de seu espaço, geralmente a internet, subindo nas cadeias hierárquicas. Nesse conceito, um hacker pode ser confundido com alguém das comunidades nerds ou geeks, e é quase isso, eles geralmente possuem vidas comuns e normais, mas muitas vezes, solitárias, sua forma de comunicação é online, por computadores, e se conhecem pelo nome que usam na internet, mas não porque ocultam sua identidade, mas porque é por esse nome que eles são reconhecidos como hackers.

A partir dos hackers, a evolução das culturas foi aumentando. Aos poucos, os hackers foram achando modos de se conectarem com outros computadores, e esse era o seu modo principal de comunicação, a forma virtual, que foi sendo apropriada para o público em geral, assim, os usuários comuns, aqueles que não tem um papel importante na criação e aperfeiçoamento do meio, também passaram, aos poucos a poderem se comunicar por computadores, as chamadas redes sociais.

Com essa popularização, a internet passou a virar um negocio lucrativo, chamando a atenção de empresários (cultura empresarial), quem viam nesse meio, um investimento lucrativo, devido ao seu crescimento. Assim, o investimento feito foi se concretizando, tornando a internet, hoje, parte imprescindível nas nossas vidas.

O que percebemos é que as culturas e comunidades da internet são evolucionais e acompanham o crescimento da web. Apesar de existir outras comunidades, as citadas anteriormente são as que mais marcaram na breve e já tão vasta história da internet. Começou com os criadores, da cultura tecnocrática, que foi aperfeiçoada pela cultura hacker, popularizando a rede para usuários comuns, surgindo as interações das redes sociais, interações essas que chamaram a atenção de empresários, que tornaram o mundo um meio lucrativo.

A evolução da Web

Quando Tim O’Reilly citou pela primeira vez o termo Web 2.0, em 2004, todos queriam saber o que isso significava, e o mais importante, o que era a Web 1.0. O’Reilly propôs o termo porque percebeu o crescimento da interação no mundo virtual. Nos primórdios da internet, o que se via era algo estático, parado, em um sistema de conteúdos, como um filme em plataforma 2D, você vê, não pode interagir, participar. A era da Web 1.0 foi o começo da internet como conhecemos hoje.

Vivemos hoje na era de Tim O’Reilly, na era da Web 2.0. Vivemos na era de Steve Jobs, Mark Zuckenberg, e por que não, Bill Gates. A transição foi feita quando os sites começaram a deixar para trás as suas estruturas rígidas e ampliaram os seus domínios para plataformas de interação dos internautas, como chats, blogs, e as tão famosas redes sociais. A Web 2.0 também é conhecida como ‘A Era Social’, período em que a internet começou a se popularizar no mundo inteiro através dessas redes sociais. Hoje, não há dificuldade de se comunicar com pessoas que estejam do outro lado do mundo, o que faz levantar a pergunta, o que as pessoas faziam sem internet? Ou, o que as pessoas faziam sem a Web 2.0?

Muitos perguntam sobre a continuidade desse ciclo, sobre uma nova web, uma Web 3.0. Prever o futuro é algo muito difícil, mas é possível ter uma noção, baseando-se nas tendências do presente. Hoje, cada vez mais, tudo ao nosso redor está conectado a uma rede, seja nossos telefones, computadores, televisões, carros ou vídeo games, e talvez essa seja a proposta da Web 3.0, um mundo onde tudo e todos estejam conectados o tempo todo, sem limites. Essa é uma das tendências atuais, mas existem outras, como o sistema de informação, que a cada dia está ficando mais personalizado a cada individuo. As publicidades estão ficando mais direcionadas, a internet está mais inteligente, podemos estar chegando ao nível da inteligência artificial, quando não só humanos possam entender a internet ou sistemas de informações, mas máquinas também.

Uma coisa é certa, o futuro está cada vez mais próximo. Chegará um ponto onde não saberemos mais distinguir o que é presente e o que é futuro. Talvez não haja uma Web 3.0, ou talvez essa era já esteja acontecendo, com o Google Glass e o IWatch, e nós ainda não percebemos.

 

FONTES: 

http://www.ex2.com.br/blog/web-1-0-web-2-0-e-web-3-0-enfim-o-que-e-isso/

http://www.significados.com.br/web-2-0/

http://www.significados.com.br/web-3-0/

Carrinho de Compras

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O dinheiro de verdade está nas menores vendas.

Hoje em dia, é cada vez mais notável o crescimento dos diversos tipos de mercados online, como de filmes, música, televisão etc. Esse crescimento pode se associar há outro crescimento, que é o da internet. Com a popularização da mesma, os usuários estão percebendo que é muito mais cômodo fazerem suas ‘compras’ pela internet, sem o trabalho do deslocamento, sem contar no raio de alcance que atingem as lojas físicas em comparação com as virtuais. As virtuais estão hospedadas em uma rede mundial de computadores, enquanto que as físicas abrangem limites de poucos quilômetros. Assim, cada vez mais as lojas físicas estão perdendo espaço para as lojas virtuais.

Outro bom motivo para isso estar acontecendo, além da comodidade, é o catalogo. Em uma loja física há uma briga árdua por espaço, seja em uma prateleira ou em uma sala de cinema, favorecendo muito mais os hits, os sucessos, aqueles produtos que darão, com uma certeza maior, mais lucro. Exemplo disso são as rádios musicais, que só investem em músicas aclamadas, pois sabem que essas músicas terão uma aceitação de um maior número de pessoas. Esse era o pensamento do século passado, não por deficiência mental, mas sim por limitações tecnológicas. Espaço é dinheiro, seja ele espaço físico, ou espaço em uma programação de rádio, por exemplo. No mundo virtual não há esse problema, a capacidade de armazenamento chega a ser infinita, não se limitando só aos principais produtos, mas sim há todos eles. Enquanto que em uma megastore esteja vendendo um número x de títulos, seja por serem os títulos mais vendidos ou os mais bem falados pela crítica, em uma loja virtual, está sendo ofertado 3 vezes mais esse número x, e além de ter mais conteúdo, atinge mais pessoas pela maior variedade.

Chris Anderson, em seu livro A Cauda Longa, mais precisamente no primeiro capítulo, fala um pouco mais sobre esse fenômeno. Um exemplo que ele traz é o da divulgação boca a boca online, que podemos dizer que é outro motivo para o crescimento do mercado online. Ao se pesquisar um título, logo se tem a indicação de outro que possa interessar também, principalmente por ser do mesmo gênero ou autor, o que aguça a curiosidade do consumidor. As redes sociais ajudam muito nesse aspecto. Alguém gosta de algo, faz um elogio e instantaneamente direciona para um link de uma loja virtual onde contenha esse algo à venda.

Segundo uma citação direta de Kevin Laws, capitalista de risco e ex-consultor da indústria de música, presente no livro de Anderson, “o dinheiro de verdade está nas menores vendas”, e só as lojas virtuais são capazes de produzir essas vendas menores, vendas essas que são muito arriscadas para as lojas físicas.