A anti-democratização da internet

Todos comentam e julgam o avanço da internet, principalmente a partir da chegada da web 2.0, como proveitoso e inovador. Bom, quase todos, claro que nada é unanime e sempre tem alguém contra.

Se dependesse do autor norte-americano Andrew Keen, nós ainda estaríamos vivendo na era das cavernas. Keen, em seu livro “O Culto do Amador”, faz duras criticas a nova internet, ou a internet em geral. Em contradição ao livro “A Cauda Longa” de Chris Anderson, Keen diz que a democratização da internet prejudica quem realmente tem talento, como por exemplo alguns músicos ou gravadoras, que estão falindo pela constante onda de piratização encontrada na internet.

Ele cita como exemplo também as notícias, expondo a enciclopédia livre Wikipedia, espaço onde qualquer usuário que fizer um login no site pode alterar as informações contidas nele. A Wikipedia chegou a ser o terceiro site mais visitado do mundo. Isso acaba prejudicando jornalistas formados que dão duro pra descobrirem informações precisas que acabam sendo esquecidas por causa desses sites de noticias colaborativas em que qualquer um pode inventar uma história crível sobre alguém e ser realmente acreditado.

Andrew Keen não consegue aceitar que os gostos e as preferências dele não são generalizadas, e sim pessoais. As reclamações sobre músicas e bandas amadoras, sites de notícias colaborativas, blogs pessoais, vídeos pessoais ou amadores são constantes. O autor é totalmente contra a democratização da internet, que permite uma maior interação das pessoas com o mundo, o que facilita até mesmo a auto promoção, também criticada por Keen.

Vale destacar também o racismo do autor, comparando tudo que não é de agrado dele a “macacos”.

Nicholas Carr e as mídias elétricas

Senti falta do meu antigo cérebro

A chegada da internet e das novas formas de mídia não foram só para acrescentarem a história, mas sim, para fazer uma nova história. Nicholas Carr, em seu livro “The Shallows”, comparou a chegada das novas mídias, com a chegada da imprensa de Gutemberg. Para ele, as pessoas tinham hábitos e formas de vida definidas, até que Gutemberg apresentou a imprensa a elas, e gradativamente, elas foram adaptando seus costumes e rotinas há aquela invenção, para posteriormente, tudo girar em torno dela.

Com as novas mídias não foi diferente, e por novas mídias entende-se DVD’s, Telefones, Computadores, Televisões, Rádios etc. Carr chamou de “mídias elétricas do século XX”. Após Gutemberg, as pessoas tinham hábitos de sentarem e passarem horas e horas mergulhadas em profundas linhas de texto, estudando-os ou somente deliciando-os, costumavam também visitar bibliotecas ou lerem jornais tomando café da manhã.

Nicholas Carr afirma que um dos principais defeitos de quem se apossou da internet e das “mídias elétricas do século XX” é a falta de concentração. Como na rede conectada, o conteúdo jorra, você passa a não conseguir se concentrar em uma coisa fixa por muito tempo, sempre querendo ir para outro site, ler outras coisas, fazer outras coisas, jogar outros jogos, enfim, obter novos conhecimentos. Em conversa com outros escritores e intelectuais de seu tempo, Carr constatou e provou o problema, não era só com ele, isso que estava acontecendo era um processo inevitável ocasionado pelo mundo que é a internet.

Mas o autor apontou muito mais benefícios do que problemas, na vida dele, o computador e a internet foram um divisor de águas, para melhor. Tudo começou a se tornar mais prático e rápido. Aos poucos, ele foi deixando os seus velhos costumes e adaptando-os aos novos.

Com o passar do tempo, Carr foi se sentindo cada vez mais dependente daquelas máquinas, como se não conseguisse passar muito tempo sem elas, um sistema de dominação das máquinas sobre ele. Esses são os novos costumes da humanidade, que a cada dia que passa está mais conectada e dependente da internet.

Jornalismo colaborativo na internet

O advento da internet modificou o cenário do jornalismo. Os novos espaços criados para a produção e veiculação de conteúdo, junto com a universalização da informação, foram fatores cruciais para a comunicação passar por um processo de renovação. Novas tendências costumam trazer consigo um sentimento de desconfiança, de resistência, mas que deve ser superado para que a profissão não se torne obsoleta.

   O crescimento da internet modifica não só o jornalismo como profissão, mas a forma de pratica-lo. A ideia de que os veículos de comunicação detém o monopólio da informação não é mias sustentada. A internet está contribuindo com a maior acessibilidade das pessoas as informações, com isso torna-as capazes de participarem do processo de criação.

   Além dos grandes sites de informações, sites de jornais de circulação diários, de revistas ou portais de emissoras, estão surgindo cada vez mais blogs, redes sociais, sites independentes e/ou colaborativos que estão tomando parte da atenção que antes era monopolizada.

   Essa nova forma de comunicar está alterando a forma de fazer jornalismo, tornando-o colaborativo. Tomando como exemplo os grandes portais de comunicação, neles, existem os seus conteúdos rotineiros, mas os próprios portais hospedam blogs independentes de pessoas que estão contribuindo com a informações, muitas vezes complementares. No caso de emissoras que possuem diversas plataformas, como rádio, televisão e afins, várias das pautas que se tornam realidade são sugeridas pela audiência. Um meio muito eficaz que está tornando essas sugestões possíveis é o aplicativo para smatphones whatsapp, nele, o usuário faz a sua denúncia, que é analisada por responsáveis de dentro do veiculo, e decidida se vai ou não virar uma pauta, colaborando com veículo.

   Em alguns casos, os blogs hospedados nos portais tem mais visibilidade do que os outros segmentos dentro dos próprios portais, fazendo com que a colaboração de outra pessoa contribua com o aumento da visibilidade do portal. Existem também blogs independentes, de várias formas e diferentes intenções dos autores, mas que acabam colaborando também com jornalismo de forma alternativa.

   Além dos blogs independentes, existem também os sites independentes. Muitos desses sites são feitos exclusivamente de colaborações. O maior exemplo é a Wikipedia, site mundialmente conhecido e primeira opção para informações da grande maioria dos internautas, é, em sua quase totalidade, de colaboração. Esse tipo de colaboração é totalmente voluntária e sem fins lucrativos. Esse tipo de colaboração também tem os seus problemas, como é um site em que todos podem contribuir, as informações podem não ser confiáveis. Diferente de outros tipo de sites colaborativos, como o Esporte Nordeste, que tem toda uma equipe por trás moderando os colaboradores e as suas postagens. Os colaboradores do EN são escolhidos pelos moderadores e tem uma espécie de vinculo com site, o que torna a colaboração aberta apenas para as pessoas selecionadas.

   O jornalismo colaborativo na intenet também leva a grandes questionamentos quanto ao futuro do jornalismo. Já é de conhecimento geral que os jornais impressos estão em crise e que o jornalismo na web está em ascensão, mas o que também está em ascensão é o fluxo de informações colaborativas. Hoje, quando acontece algo de muita importância, ou eventos catastróficos, ou algo fora do comum, as primeiras pessoas que noticiam o fato não são os jornais, mas sim as pessoas que estiverem mais perto do local e tenham a sua disposição a internet. As informações fluem através das redes sociais, como Twitter ou Facebook.

   Será que o jornalismo como se conhece hoje está realmente chegando ao fim? A tendência crescente das colaborações por meio da internet põe em risco até a profissão do jornalista. Não é só a cultura dos jornalistas que está mudando, mas a cultura dos leitores também, influenciados também pela internet, que fornece, além de muitas outras vantagens e desvantagens, a opção da leitura da informação rápida e direcionada. Não sabemos como vai estar essa situação daqui há alguns anos, o que podemos afirmar é que, hoje, o jornalismo está passando por mudanças que, no futuro, vai refletir sobre todos os seus aspectos.

A cultura da convergência

                                               

 

É certo que os meios de comunicação estão passando por um período de mudança, mas não são só eles, tudo que se conhece por mídia está passando pro processos de mudanças, como assistir uma novela, participar de um reality show ou interagir em uma rede social, é a chamada cultura da convergência.

   Henry Jenkins, o pai dos estudos sobre cultura da convergência, em seu livro Convergence Culture (2006), tenta passar um pouco do conhecimento que ele tem sobre essa novo modelo. Para ele, essa cultura é um movimento social.

   Para entender melhor esse movimento, Jenkins cita alguns exemplos no livro, como o do reality show americano Survivor, que em uma das temporadas, alguém acompanhou as gravações e soltava spoilers ao público com o decorrer da exibição dos episódios, fazendo convergência entre internet e televisão. O autor também fala sobre outro reality show, o American Idol, que em determinados momentos do programa o público toma decisões através de telefones, fazendo a convergência entre a televisão e as linhas telefônicas. Mas o caso citado mais interessante é o da franquia cinematográfica Matrix, que se encaixa em outro conceito do movimento, que é o de ‘Transmedia Storytelling’. Esse conceito consiste em contar uma história através de diferentes plataformas, em que cada uma complementa a outra com informações auxiliares, ou seja, não é necessário o total entendimento do que está se passando em uma plataforma, para compreender o que está acontecendo em outra. Matrix é uma trilogia de filmes, mas com o seu sucesso, expandiu-se para desenhos animados na televisão, jogos de vídeo game, textos na internet etc.

   Mas não é só nesses meios que podemos encaixar a cultura da convergência, existem vários outros, como DVD’s, celulares, revistas ou até mesmo uma camisa que você usa com o nome de um programa ou algo do tipo seu, favorito. A maior intenção é firmar um contrato de fidelidade com o consumidor, que seja tão forte que ele possa consumir em diferentes mídias e plataformas, a diferentes custos.

   As vezes o contrato firmado com o consumidor é tão forte, que ele pode chegar a ditar um ritmo. Como por exemplo em uma novela, onde a sua trama é encaminhada de acordo com os direcionamentos do público. Ou uma música em que o artista deixa em aberto um verso para seus fãs escreverem e ele gravar.

   É difícil prever como estará o movimento daqui a alguns anos, mas o que se pode afirmar é que essas misturas de plataformas tendem a acontecer cada vez mais, o que também cada vez mais vai causar um impacto de mudança econômica e social muito forte na vida da sociedade transmidiatica.